Conheça a obra de Milton Hatoum, o novo imortal da ABL |
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Na sexta-feira, 24 de abril, Milton Hatoum tomou posse como imortal da Academia Brasileira de Letras, assumindo a cadeira 6. Romancista, contista, ensaísta, tradutor e professor universitário, nasceu em Manaus, em 1952.
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Estreou no romance em 1988, com Relato de um certo Oriente, que ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Romance. Ambientado entre o Oriente e o Amazonas, este retrato é a busca de um mundo perdido, que se reconstrói nas falas alternadas das personagens, ecos longínquos da tradição oral dos narradores orientais.
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Em 2000, publicou o romance Dois irmãos, eleito o melhor romance brasileiro no período 1990-2005 em pesquisa feita pelos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. De intensa dramaticidade, o romance ganhou adaptações para televisão e quadrinhos e figura na lista de leituras obrigatórias de diversos vestibulares, como a Fuvest.
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De lá até aqui, publicou outros títulos, como Cinzas do norte, A cidade ilhada e Órfãos do Eldorado, aqui e em 17 países, todos com uma extensa fortuna crítica e listas de premiações no Brasil e no exterior. Com a Companhia, Milton Hatoum atingiu a marca de mais de 500 mil exemplares vendidos no Brasil. |
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Em 2025, encerrou a trilogia O Lugar Mais Sombrio, na qual dramas familiares se entrelaçam à história da ditadura militar. Juntos, A noite da espera, Pontos de fuga e Dança de enganos nos fazem a pergunta-chave de toda ficção que remonta o passado: a memória, afinal, escolhe o que ela esquece? |
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Assista ao vídeo com Milton Hatoum sobre o encerramento da trilogia! |
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Em sua literatura, Hatoum pensa a casa, a identidade e a família como coisas que se espraiam no espaço geográfico, prontos para se tornarem metáforas das ruínas e da passagem do tempo. Se o desejo ou a viagem levam as personagens a transpor as barreiras da infância e da moral, estes mesmos elementos, mais cedo ou mais tarde, recaem sobre os heróis como uma fatalidade que os traz de volta a um centro imóvel: "para onde vou, Manaus me persegue".
Se, em seus romances, seus personagens tentam reconstruir os cacos do passado, Milton Hatoum também escreve ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Agora imortal, o escritor eterniza com ele a cidade, o rio e todas as metáforas das ruínas e da passagem do tempo.
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Assista ao vídeo da posse |
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